quinta-feira, 1 de abril de 2010
O que a Páscoa pode significar.
Ë o libertador do homem de seus medos, culpas, angústias, ansiedades, rancores, ódios e desafetos. Imaginem a humanidade livre destes sentimentos, enquanto dominadores das nossas ações ? Não seria o paraíso aqui na terra ?
E por que é a celebração mais importante pra mim ? Porque celebra o cumprimento da missão de Jesus.
O que a crucificação do Cristo me lembra é que nós homens somos capazes de matar Deus. Matamos Deus na figura do filho da trindade há 2000 anos atrás e continuamos matando Deus dentro de nós quando respondemos ao ódio com agressão, agressão com raiva, ataques com ofensas, ao invés de oferecer a outra face da tolerância, compreensão e amor pelas almas que ferem porque foram feridas e ainda não aprenderam a agir com Deus dentro delas.
Felizmente o domingo de Páscoa me lembra que mesmo quando matamos Deus, ele ressuscita, não de forma virtual mas de forma real a ponto de transformar a história em antes e depois dele (lembrem-se porque datamos tudo que fazemos hoje com 2010, no mundo todo, incluindo o mundo de outras religiões). Isso quer dizer que não importa quantas vezes matamos Deus dentro de nós. Ele sempre vai ressuscitar.
Páscoa quer dizer passagem (Pessach do hebraico). A páscoa judaica, que Cristo e seus discípulos comemoraram antes da crucificação, celebra a passagem da escravidão no Egito para a liberdade do povo hebreu.
Que nesta páscoa nós possamos comemorar a passagem de todos nós para uma vida plena. Com mais amor, paz, alegria, bondade, benignidade, fidelidade, paciência, mansidão e domínio próprio (os nove frutos do espírito segundo a bíblia). E portanto, com mais saúde.
Feliz páscoa pra vocês.
P.S.: Hoje eu li uma frase de um cientista da mente, Carl Jung, Psiquiatra, Psicólogo, antropólogo, sociólogo e principalmente um estudioso da alma humana, que reforça os ensinamentos de Cristo : “Aquele que sabe, não mais pode fazer recair este enorme peso de significação, de responsabilidade e de dever, de céu e de inferno sobre estes seres fracos e falíveis, dignos de amor, de indulgência, de compreensão e de perdão, que nos foram dados como mães.”
Ou seja, se até as mães que amam seus filhos com amor incondicional erram conosco, imaginem as outras pessoas. Perdoar é a única saída para livrarmo-nos do peso morto da mágoa e do ressentimento.
Leia trecho inicial do meu livro em :
http://www.clubedeautores.com.br/book/11908--Mude_seu_relacionamento_com_os_computadores_e_livrese_das_neuroses
segunda-feira, 22 de março de 2010
Qual é a sua maratona ?
Às vezes, nos colocamos diante de desafios que parecem intransponíveis e por maiores que possam parecer as recompensas, acabamos desistindo por acharmos que aquilo está além das nossas possibilidades.
Eu sempre achei que este negócio de correr uma maratona era coisa de maluco. Como eu gosto de corrida de fundo, os 15 Km da São Silvestre que, depois de algum treino, eu venho completando há mais de dez anos, já estavam de excelente tamanho pra mim. Sempre que eu ouvia o depoimento de um amigo que tinha completado os 42 Km da maratona, eu achava que isto não era coisa para um cara "normal", como eu, fazer. Depois de ouvir tanto sofrimento para superar os próprios limites eu pensava : não vale a pena, dose pra leão, coisa de doido !!! Ainda mais agora que eu já estou com 46 anos (naquela época). Apesar deste sentimento, eu sempre nutria uma idéia de que uma pessoa que completa uma maratona deveria terminar com a sensação que seria capaz de vencer qualquer dificuldade na vida.
Até que um dia, um amigo que completou a maratona de Nova York me colocou na cabeça que valia a pena um projeto como este para exercitar a disciplina, a perseverança, o companheirismo nas inúmeras horas de treino com os amigos, e para vivenciar o que significa na prática a vitória da mente sobre o corpo.
A minha provação foi na maratona de São Paulo de 2004. Depois de um ano de treinos leves durante a semana e puxados nos sábados, eu participei da minha primeira maratona, a décima da cidade de São Paulo. Cheguei a correr 20 Km várias vezes, corri 35 Km uma vez e no feriado de 21 de Abril, fiz 37 Km e terminei o treino muito cansado, com dores no corpo mas com a impressão que dava pra correr mais 5 Km. Achei, portanto, que já estava pronto para completar uma maratona.
Para mim, durante a prova, a experiência do exercício físico com o cansaço normal de qualquer esforço prolongado, da endorfina liberada no organismo que, por incrível que pareça, nos dá uma sensação de prazer, ocorreu justamente até pouco depois do Km 37. Daí pra frente a minha experiência foi transcendental : No Km 38 os músculos das minhas coxas travaram simultaneamente. Ficaram duros como uma rocha. Foi aí que eu apelei para Deus em oração e pedi para que Ele não me deixasse terminar a prova ali, depois de um ano de luta.
Tentei correr alongando os músculos, levantando os calcanhares até quase a altura das nádegas. Para minha alegria, os músculos voltaram ao estado normal imediatamente. No Km 39, já com dores em todo o corpo, inclusive em músculos que eu nem sabia que existiam, eu preguei e pensei em começar a andar ao invés de continuar correndo. Mas novamente, eu pedi pra Deus me levar até o final porque eu não queria terminar andando depois de um ano inteiro de treinamento. Cheguei até o Km 40 onde tinha mais um posto de água e uma cabine de banheiro. Parei 2 minutos pra fazer xixi e tomar um copo de água, sem estar correndo, pela segunda vez na prova (a primeira foi no Km 17 onde ficavam as primeiras cabines de banheiros). Só que desta vez, quando eu parei dentro da cabine, tive a sensação que todo o sangue do meu corpo tinha subido para a cabeça. Comecei a ficar meio tonto mas balancei a cabeça, terminei de fazer xixi e segui em frente. Logo que recomecei a correr perdi um pouco a direção, corri meio torto por alguns metros mas logo em seguida voltei a correr em linha reta.
Até chegar no Km 41, já sem conseguir raciocinar normalmente, comecei a pensar o seguinte : mas por que 42 KM e não 40 exatos ? Por que estes dois malditos quilômetros a mais ? Quando chega nesta fase do projeto você não quer desistir mas quer que acabe imediatamente. É interessante como a gente aprende numa prova de fundo como esta. Do Km 41 até o final da prova eu não sei como continuei correndo. Só sei que cheguei e ainda estou vivo.
CONCLUSÃO : Por mais impossível que pareça a realização de um projeto ou desafio para pessoas normais como nós (se bem que se olharmos de perto, bem de perto, ninguém é normal), com disciplina, perseverança e, principalmente, fé em Deus, nós podemos chegar lá. Por que principalmente fé em Deus ? Porque naqueles momentos da nossa vida, nos quais nos sentimos vencidos pelo cansaço ou pelas circunstâncias e que não podemos continuar lutando com as nossas próprias forças, estamos prontos para o poder de Deus fazer-nos seguir em frente.
E para terminar este capítulo, quero reproduzir uma frase que o meu amigo leu no central park, na fase final da maratona de Nova York : "A dor é temporária mas a glória é para sempre".
Trecho do meu livro publicado em :
http://www.clubedeautores.com.br/book/11908--Mude_seu_relacionamento_com_os_computadores_e_livrese_das_neuroses
quarta-feira, 10 de março de 2010
Oração
Às vezes bate aquela dúvida existencial do tipo “mas por que o Senhor nos criou ?”.
E a resposta nos vem em forma de pergunta : “como o Senhor exerceria sua vocação de Pai sem filhos ?”.
Obrigado pelas dúvidas, Senhor, que nos fazem refletir e nos levam pra perto de ti.
O Senhor criou o homem e disse “não é bom que meu filho seja só”. É verdade, Pai, é melhor sermos dois do que um ser solitário. E o Senhor criou a mulher, melhor do que o homem porque ela é mais coração do que o homem, e portanto mais amor.
Obrigado Pai, porque o Senhor nos ensinou o que é amor incondicional por intermédio das mulheres, que entregam suas vidas pelas vidas de seus filhos.
Obrigado Senhor, pelo toque das mulheres em nossas vidas. Imprescindível toque para um mundo melhor. Com mais amor. Mais carinho, mais poesia e portanto, mais criatividade.
Obrigado Pai, porque o senhor tem nos mostrado por intermédio de seus poetas e escritores, o quão importante é a comunhão do homem com a mulher para que os dois possam construir um mundo melhor.
Amém.
Esta oração eu fiz há muitos anos. Continua atualíssima.
Forte Abraço a todos
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Você presta atenção só nas formas das coisas?
Como a arte pode nos ajudar a driblar o estresse :
É impressionante o que um congestionamento em São Paulo pode fazer conosco além, é claro, do stress, alta ansiedade, mau humor e outros males que “normalmente” acompanham este tipo de situação. Pois foi graças a um trânsito infernal na hora do rush de uma quinta-feira, que por não ter para onde fugir eu me vi obrigado a relaxar e prestar atenção na letra das músicas que tocavam na rádio FM. A música que tocava era por mim conhecida como “Starry, Starry Night”. Um clássico da música pop. Aqueles que tem mais de 40 anos de idade certamente já ouviram muitas vezes. Ela tem uma melodia agradável que poderia ser muito bem utilizada para um tema romântico falando do amor de um casal.
Enorme foi a minha surpresa quando descobri que na verdade a música falava de amor sim mas de um artista pelas cores da natureza. Descobri também que o nome da música é Vincent porque trata-se de uma leitura fabulosa do que Vincent Van Gogh quis transmitir para o mundo.
O âmbar de uma manhã no campo, um céu azul escuro estrelado com algumas nuvens cinzas, o vermelho sangue de uma rosa, o branco virgem da neve, eram cores que gritavam sensações muito fortes para o artista. Ele sabia ler a natureza e procurava nos mostrar sua mensagem através dos seus quadros que deveriam acalmar multidões de faces atormentadas. Van Gogh priorizava as cores e movimentos ao invés das formas, como todos os pintores faziam até então. Criatividade é isso : olhar o que todo mundo vê e pensar algo diferente.
Mas o mundo, na época, não entendeu. As pessoas chamadas “normais” pensaram que ele estava louco porque enxergava aquilo que ninguém via. O autor da música percebeu que Vincent sofria pelo excesso de sua sanidade e não pela loucura como todos acreditavam. Sofria também porque tentava libertar as pessoas de uma visão restrita apenas ao preto e branco ou, quando muito, várias tonalidades de cinza. Mas eles não escutaram, eles não sabiam como; talvez escutassem agora, diz o refrão da música.
O fato é que muitas vezes nós nos vemos na armadilha da lente cinza olhando o mundo e seus acontecimentos e deixando de lado o que existe de melhor para se extrair da situação. Até numa noite escura podemos fazer uma leitura do ambiente, que pode trazer à luz as sombras mais profundas das nossas almas e finalmente entender certas atitudes nossas que não entendíamos os motivos. O primeiro passo para resolvermos grandes problemas ocultos é trazê-los para o foco de uma luz, tira-los do esconderijo.
Não é impressionante que se não fosse um congestionamento em São Paulo talvez eu nunca soubesse o significado profundo desta música que tem uma melodia tão gostosa ? O que será que a gente está perdendo quando a vida dá uma travada e ao invés de relaxar e procurar uma alternativa nós só ficamos mais ansiosos e estressados ?
Pense nisso ! Mas antes, veja a letra da música na íntegra :
TRECHO DO LIVRO ENCONTRADO EM :
http://www.clubedeautores.com.br/book/11908--Mude_seu_relacionamento_com_os_computadores_e_livrese_das_neuroses
Starry, starry night
Paint your palette blue and grey
Look out on a summer's day
With eyes that know the darkness in my soul
Shadows on the hills
Sketch the trees and daffodils
Catch the breeze and the winter chills
In colours on the snowy linen land
Now I understand
What you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
And how you tried to set them free
They would not listen
They did not know how
Perhaps they'll listen now
Starry, starry night
Flaming flowers that brightly blaze
Swirling clouds and violet haze
Reflect in Vincent's eyes of china blue
Colours changing hue
Morning fields of amber grain
Weathered faces lined in pain
Are soothed beneath the artists' loving hand
Now I understand
What you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
And how you tried to set them free
They would not listen
They did not know how
Perhaps they'll listen now
For they could not love you
But still your love was true
And when no hope was left inside
On that starry, starry night
You took your life as lovers often do
But I could have told you Vincent
This world was never meant for one as beautiful as you
Like the strangers that you've met
The ragged men in ragged clothes
The silver thorn of bloody rose
Lie crushed and broken on the virgin snow
Now I think I know
What you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
And how you tried to set them free
They would not listen
They're not listening still
Perhaps they never will...
O poder da oração para livrarmo-nos do estresse.
Que Deus nos livre da pressa.
Outro dia destes eu estava sozinho no escritório depois das 18 horas, com os telefones todos fora do ar (problemas técnicos do nosso provedor de serviços de telefonia) e com a bateria do celular totalmente descarregada, depois de tanto uso.
Completamente desconectado do mundo exterior, pensei : que excelente oportunidade para “falar com Deus”, como diria nosso ministro da cultura Gilberto Gil em outros tempos.
A plena consciência de que nada vai interromper, dá-me a impressão que é facilitada a nossa sintonia com o mundo espiritual. Assim sendo, pus-me a fazer minhas orações. Passando das 19 horas me ocorreu que eu já havia pedido bastante e que já tinha me perdido bastante também, em devaneios que nada mais tinham a ver com orações. Foi quando me ocorreu que eu deveria perguntar pra Deus o que eu deveria orar.
Agora, os mais céticos vão me chamar de louco e os mais espirituais de banal. Mas eu vou contar o que aconteceu, mesmo lembrando que queimaram Joana D’Arc porque ela afirmava categoricamente que ouvia a voz de Deus. Graças a Ele hoje em dia as pessoas, via de regra, quando são queimadas (e este risco eu corro consciente) acontece no sentido figurado e não numa combustão propriamente dita. Mas o fato é que eu ouvi aquela voz que fala direto para a nossa consciência dizendo : “Peça pra te livrar da pressa.” Que coisa interessante! Atendi prontamente e comecei a pensar nas conseqüências da pressa no nosso dia a dia.
Por causa da pressa, muitas vezes respondemos de maneira atravessada a clientes, parceiros, amigos e, pior, filhos, esposa ou marido. Por causa da pressa corremos riscos desnecessários no trânsito e somos mal educados com pedestres, às vezes colocando suas vidas em risco. Por causa da pressa não fazemos direito nosso trabalho, não cuidamos da nossa alimentação dignamente e da nossa saúde tampouco.
Vou parar por aqui porque são inúmeras as besteiras que podemos fazer movidos pela pressa. Mas como evitá-la ? Neste momento, já depois das 20 horas e retornando de moto para casa, me veio novamente a resposta diretamente no ouvido da consciência : Planejamento e disciplina. Se nós planejarmos nossas ações com diligência e agirmos de maneira disciplinada, criamos um escudo contra as pressões maléficas da pressa. Isto significa por exemplo, não fazer aquela ligação a mais antes de sair no horário planejado para comparecer na hora combinada para aquela reunião do outro lado da cidade; determinar hora de início e fim para aquelas atividades nas quais nos mergulhamos de cabeça e fazemos de conta que o relógio não existe; ficar procrastinando, ou se preferir, empurrando com a barriga, as coisas chatas que temos que fazer até que elas se tornam urgentes e acabam atropelando os compromissos planejados.
Enfim, cada um de nós pode fazer uma avaliação pessoal e verificar onde estamos “pecando“ (ou “errando o alvo”, se formos buscar a origem da palavra em grego, usada no novo testamento). Agora, o mais importante de tudo que eu aprendi com esta experiência transcendental, aconteceu poucos dias depois quando comentava o fato com um amigo e nesta ocasião Deus usou as cordas vocais deste colega pra, mais uma vez, tocar minha consciência : “Antes do planejamento e da disciplina, vem a confiança em Deus”. Sem a confiança de que Ele está no controle absoluto do universo, mesmo quando tudo parece caótico a nossa volta, nenhum planejamento e/ou disciplina vai nos livrar do medo “inimigo”, que pode nos levar à pressa e todas as loucuras que podemos fazer.
TRECHO DO LIVRO ENCONTRADO EM :